Olá, leitores!
Neste post, respondo (e desenvolvo) um comentário feito pelo Chico, um amigo meu de Petrópolis, RJ. Ele diz: "É interessante porque me dei conta que você é de fato a primeira geração de filhos dos 'exilados economicos', não é?"
Eu já estava querendo explicar aqui o meu raciocínio por usar a palavra "exílio" no nome do blog. Técnicamente falando, eu seria classificada como imigrante. A diferença entre a minha experiência e o estereótipo de "imigrante para os EUA" é que eu não sonhei em tentar a minha vida aqui... não fui eu quem fez a escolha de sair do Brasil. Também tem o fator de que eu já vim pra cá com cidadania americana (graças à minha vó, que nasceu aqui), então não sofrí a marginalização tão comum entre os imigrantes ilegais.
A princípio, eu ia dizer que me sentía exilada porque acabei construindo uma vida aqui, e agora já não tenho como voltar e sobreviver no Brasil. Afinal, ser antropóloga no Brasil é bem difícil. Também ia adicionar que existe um sentimento melancólico, que me faz ver o Brasil como a minha terra natal, pra onde não volto "pra sempre" tão cedo. É quase uma separação forçada pelas circunstâncias.
No entanto, a expressão que o Chico usou explicou muito melhor a minha situação. Na época da ditadura, os exilados brasileiros eram políticos. Agora, com a mudança dos tempos, o tipo de exílio também mudou. Agora é outro lance: exilado econômico!
Nossa mudança para os EUA foi extremamente influenciada pela situação econômica do Brasil, e pela situação financeira da minha família. Com a classe média do Brasil diminuindo, em meados dos anos 90, ficou difícil sobreviver. Ainda mais com um pai músico e uma mãe secretária. Daí surgiu a idéia de ir morar nos EUA, para garantir uma educação decente (e, consequentemente, um futuro decente) para os três filhos. Acho que é isso mesmo: sou a primeira geração de "exilados econômicos", pessoas que não conseguiram ganhar a vida no Brasil e acabaram indo morar no exterior. Nota-se a conotação de "estratégia de sobrevivência" dessa explicação. Imagino que a maioria de pessoas que entrariam nessa categoria de exilados econômicos fazem parte de uma classe média ou média-baixa que busca a educação e a oportunidade de trabalho como meta para os filhos e parentes.
O que tem de interessante nisso, então? Bem, o elemento de ruptura (de ser tirada de uma cultura e jogada em outra, aos 12 anos de idade) afetou muito a minha personalidade. Por isso sou assim, meio melancólica e sempre saudosa... vivendo, de propósito, como um peixe fora d'água. Me recuso a me adaptar, a ter a minha "alma" inteiramente aqui. De um certo modo, vivo um exílio eterno, que nenhum passeio de 2 meses pelo Brasil pode curar!
E vocês, o que acham? Concordam com a idéia de "exilados econômicos"? Existem outros tipos de exilados que não mencionamos aqui? Comentem!
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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
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